17 jul 2017

Denguiticamente e Sifiliticamente

postado em: Coluna do Edu

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Há algum tempo no Brasil, quando se atendia um paciente, os médicos eram obrigados a pensar “sifiliticamente”. A grande incidência da doença e a enorme variedade de apresentações clínicas obrigavam os médicos a sempre pensar em sífilis quando ouviam as queixas e examinavam seus pacientes. Parece inacreditável, mas mesmo nos dias atuais, ainda temos que pensar em sífilis, principalmente no atendimento a pacientes em maior vulnerabilidade social.

Morei na Bahia por alguns anos e, ao atender meus pacientes, os primeiros diagnósticos diferenciais que pensava era dengue ou meningite. Duas doenças graves e algumas vezes fatais e com alta incidência naquele estado. Infelizmente vi casos de mortes nas duas doenças.

A seguir apresento alguns dados importantes sobre estas duas entidades nosológicas. O profissional de saúde ocupacional deverá ficar atento a estas informações no dia a dia.

DENGUE

Após a picada do mosquito com o vírus, os sintomas se manifestam normalmente do 3º ao 15º dia. O tempo médio de duração da doença é de cinco a seis dias.
Além dos sinais e dos sintomas clássicos, como febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, caso você já tenha o diagnóstico de dengue e apresenta um ou mais dos sintomas a seguir, procure imediatamente um médico, pois você está evoluindo para uma forma grave da doença:

  • Dores abdominais fortes e contínuas.
  • Vômitos persistentes.
  • Sangramento pelo nariz, boca e gengivas.
  • Sede excessiva e boca seca.
  • Pressão muito baixa.

MENINGITE

A meningite, principalmente a doença meningocócica, tem como sinais e sintomas a febre alta e persistente, dor de cabeça forte e constante, náuseas e vômitos em jato, rigidez de nuca ou dor no pescoço. Manchas vermelhas, pequenas ou grandes na pele podem aparecer nos casos de meningococcemia, representando gravidade do caso. Em recém-nascidos e lactentes, além dos sinais e dos sintomas citados, observar irritabilidade, choro em excesso, abaulamento da fontanela, dificuldades de movimentar a cabeça, cansaço e falta de apetite.

O período de incubação varia de 2 a 10 dias, em média de 3 a 4 dias. A transmissão depende do agente etiológico. Na doença meningocócica, o contágio é de pessoa a pessoa por gotículas ou secreções da nasofaringe, expelidas ao tossir e falar ou por contato direto com essas secreções. As principais medidas de prevenção e controle:

  • Manter o ambiente sempre ventilado, pois a bactéria que causa a doença meningocócica não resiste à luz solar e à ventilação natural.
  • Vacinar as crianças com as vacinas que são disponibilizadas na rede pública: BCG e tetravalente que previnem a meningite tuberculosa e meningite por Haemophilus influenzae b, respectivamente.
  • Realizar a quimioprofilaxia dos contatos dos casos confirmados de doença meningocócica e meningite por Haemophilus influenzae b com rifampicina em tempo oportuno (ideal: até 48 horas após a notificação).
  • Toda pessoa com suspeita de meningite ou meningococcemia deve ser hospitalizada.

As complicações e sequelas são comuns no caso de meningococcemia:

  • Neurológicas: convulsões, retardo mental, hidrocefalia, perdas auditivas neurossensoriais, paralisias, acometimento de nervos cranianos.
  • Gerais: amputação de membros, cicatrizes extensas, queloides, artrites, miocardites, etc.
    As vacinas para as duas doenças (dengue e meningite) estão disponíveis no mercado. Grande investimento para as empresas.

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Autor (a): Dr. Eduardo Arantes – Médico com especialização em Medicina do Trabalho pela Universidade São Francisco de São Paulo, Ergonomia pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e em Gestão de Saúde pela FGV. Autor dos livros: O Retorno Financeiro de Programas de Promoção da Segurança, Saúde e Qualidade de Vida nas Empresas, Ciências da Vida Humana e o recém-lançado Crônicas de Saúde, Ciência e Cotidiano. Atualmente é Diretor Técnico na Beecorp – Bem Estar Corporativo.

O Dr. Eduardo Arantes escreve mensalmente para o SaudeOcupacional.org, na “Coluna do Edu”.

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